Distante #44
Bebês não dão trabalho. Adultos dão.
Bebês não dão trabalho. Adultos dão. Os bebês precisam de ajuda para comer, dormir, vestir roupas limpas etc. Não há um único item na lista de tarefas solicitadas por eles que não faça sentido. Já os adultos… Eu espero que não haja nenhum deles lendo esse texto. Eu não tenho muitas coisas boas para falar sobre esses caras.
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Por exemplo: um bebê nascido no Reino Unido, de pais que vivem no país há menos de 5 anos, precisa passar por uma série de provações para se tornar, hmmm, um bebê legalizado. É preciso que o bebê (1) prove que nasceu no país; (2) prove que tem outra cidadania que não a britânica, embora ele tenha acabado de nascer…no Reino Unido; (3) os pais desse bebê precisam preencher um formulário de 46 páginas; (4) à mão! (5) e levantar dezenas de documentos que comprovem que, ah, eles viveram no Reino Unido nesse período [como se o governo não soubesse] (6) e tudo isso precisa ser coletado, impresso [duzentas folhas de papel que podiam ser um email, alô, Greta!] e enviado por correio para o órgão competente (sic) antes do bebê completar…
(É… tem algum adulto aí? Eu sugiro que pare de ler se não quiser se sentir ofendido).
(Segundo aviso).
(Terceiro aviso).
E tudo isso precisa ser coletado, impresso e enviado por correio ao órgão competente (sic) antes do bebê completar… 3 meses de vida.
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Os pais não negam, porém, que é possível se divertir no inferno burocrático britânico. O que responder à pergunta dirigida ao bebê “quando você entrou no Reino Unido?” Os pais elaboram algumas possíveis alternativas:
A) quando o espermatozóide fecundou o óvulo
B) quando a bolsa estourou
C) quando o bebê saiu da barriga
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E como discordar das autoridades quando elas deixam claro que, enquanto a situação migratória não for oficialmente concluída, o bebê está proibido de trabalhar ou de alugar um imóvel no Reino Unido?
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Ao chegarem ao fim da maratona burocrática dentro do prazo, os pais comemoram a vitória como se fosse um título da Copa do Mundo vencido pelo Brasil sobre a Inglaterra por uma goleada humilhante.
E logo lembram que há casos de famílias de imigrantes passando por situações muito mais cruéis, estúpidas e sem sentido. Em 2019, um bebê de 4 meses foi separado dos seus pais na fronteira entre o México e os Estados Unidos. Mais de um ano depois, já de volta à Romênia, sei país natal, e traumatizado, ele não conseguia nem andar, nem falar.
Ontem, uma criança de 6 anos foi deportada pelo governo Trump após passar quase um mês presa. Outros 2.600 menores de idade permanecem encarcerados em centros de detenção daquele país, considerado o mais avançado do mundo…segundo os adultos.



Texto sensacional! Boas festas para todos aí!